sexta-feira, 1 de julho de 2011

NUTRIÇÃO E ESPORTE

            Estudos vêm demonstrando que muitos atletas e/ ou esportistas possuem padrões alimentares errôneos, com baixo consumo de carboidratos e o alto consumo de proteínas e lipídeos de má qualidade, influenciando negativamente no rendimento físico. Esse comportamento pode ser devido crenças nutricionais, modismo e a influência da mídia.

            Sabe-se que o consumo apropriado de carboidrato é fundamental para otimização dos estoques iniciais de glicogênio muscular, da manutenção dos níveis de glicose sanguínea durante o exercício e da adequada reposição das reservas de glicogênio na fase de recuperação. Existem evidências de que o consumo de dieta rica em carboidrato, em período de treinamento intenso, pode favorecer não somente o desempenho físico como o estado de humor do atleta.

Há uma supervalorização do consumo de proteína.  Esportistas costumam associar o aumento de massa muscular ao consumo extra de proteína. Desconhecendo as consequências de uma dieta hiperprotéica (acima de 1,8g de proteína por kg de peso) ao longo tempo, a qual ocasiona aumento do risco de doenças cardíacas, predisposição para acidose metabólica, levando o atleta à fadiga mais rapidamente, osteoporose em função da diminuição da absorção do cálcio além de disfunções renais, pois diminui os níveis de excreção de citrato na urina acarretando a formação de cálculos renais.

 Um fator importante é a real necessidade protéica que depende das características individuais como: idade, peso, altura, sexo, característica do exercício que pratica, intensidade, duração e frequência de treino. Em média uma pessoa que pratica atividade física deve ingerir de 0,8 a 1,0g de proteína/ kg de peso corporal, um praticante de atividades aeróbicas de 1,2 a 1,6g e praticantes de atividades de força de 1,4 a 1,8g. Não excedendo a 1,8g de proteína por Kg de peso corporal por dia, quantidades superiores não promoveram aumento de massa muscular nem melhoraram do desempenho.

O consumo exagerado de lipídeo de má qualidade esta associado ao fato de muitos não saberem que alimentos com alto teor de proteína apresentam alto teor de gordura saturada (ovos, carnes e leite integral e seus derivados), ou seja, exagerando no consumo desses alimentos para “aumentar a massa muscular”, concomitantemente, estão exagerando no consumo de alimentos gordurosos causando aumento do tecido adiposo, contribuindo para o surgimento de doenças crônicas.

Atualmente, o número de pessoas fisicamente ativas tem aumentado juntamente com o consumo de suplementos nutricionais, que na maioria dos casos são utilizados sem instrução de um profissional qualificado (nutricionista ou médico com formação em área esportiva). Entende-se que os suplementos devem ser utilizados quando as necessidades de nutrientes não estão sendo alcançadas pela alimentação, como é o caso de atletas profissionais, que são submetidos ao stress físico geral, metabólico, bem como suas necessidades nutricionais. Ou pessoas com necessidades aumentadas e que apresentam dificuldade em atingi-las.

Uma alimentação equilibrada contendo todos os macronutrientes e micronutrientes em quantidades ideais contribuirá para um maior rendimento do atleta e/ ou esportista. Não existe receita de bolo, cada individuo apresenta necessidades diferentes e somente um profissional qualificado poderá mensurar. Não existem alimentos e suplementos mágicos, por isso não dê ouvidos a tudo que se escuta por ai, selecione as informações, pesquise, questione, não brinque com sua saúde.


Luana da Piedade Primon- Nutricionista CRN2 9882

Consultório Integrado- (51) 3261-2021
luanaprimon@hotmail.com

Referências:

FAYH, A. P. T. et al. Efeitos da ingestão prévia de carboidrato de alto índice glicêmico sobre a resposta glicêmica e desempenho durante o treino de força. Rev Bras Med Esporte, v. 13, n. 6, p. 416-420, 2007.
KANNO, P. et al. Dieta individual versos desempenho esportivo: um estudo sobre os estereótipos nutricionais aplicados por triatletas. Rev Bras Cineantropom Desempenho Hum, v. 11, n. 4, p.444-448, 2009.
PANZA, V. P. et al. Consumo alimentar de atletas: reflexões sobre recomendações nutricionais, hábitos alimentares e métodos para avaliação do gasto e consumo energético. Revista Nutrição, Campinas, v. 20, n. 6, p. 681- 692, 2007.